A POLÍTICA, OS INTELECTUAIS E OS OUTROS
A política está a mudar bastante e os políticos também. Este é o tempo em que político significa técnico da governação, barão de influências, fuinha de bastidores, caçador furtivo, negociador de compromissos, funcionário partidário, profissional bem ou mal pago, gestor público, engenheiro público, contabilista público, tecnocrata. Homens sem cultura política, histórica e filosófica. Homens mal-formados. Homens quase analfabetos. Homens simples, raposentos, previsíveis e artificiais. Homens comuns, disciplinados, calculistas, banais, repetitivos. Homens iguais, fardados, mal-educados, mal-humorados, grosseiros, sem elegância, sem brilho, sem fascínio, sem talento.
São assim muitos dos políticos nacionais, gente quase rasca, homens “médios”, quase cidadãos normais. Homens que o povo elege, homens que o povo gosta, homens que o povo percebe, homens quase iguais ao povo.
Por isso, os políticos não gostam dos intelectuais, dos críticos, porque pensam demais, porque criticam demais, porque trabalham pouco, porque não colam cartazes, nem beijam varinas, porque o povo também não gosta deles, porque o povo diz que eles dizem mal de tudo, e porque são indisciplinados, imodestos, impertinentes, complicados, difíceis, e, sobretudo, mutáveis, instáveis, sempre à procura das razões das coisas, sempre à procura de chatice.
Os intelectuais, como António Barreto, Vital Moreira, Pacheco Pereira, José Saramago, etc, são bons e maus ao mesmo tempo, são bons enquanto não tem importantes responsabilidades políticas e partidárias, enquanto aparecem nos tempos de antena, enquanto escrevem preâmbulos, ou cogitam em projectos políticos encomendados e supervisionados, ou enquanto a sua paciência vai permitindo o controlo partidário. Mas são maus e indesejáveis quando escrevem artigos a responder à sua consciência, quando mudam de opinião, quando concordam com os adversários, quando ameaçam a unanimidade, quando se armam em “independentes”.
A política já não serve aos intelectuais e os intelectuais já não servem à política. Por isso, os intelectuais devem exilar-se da política feita de mesquinhez e podridão; devem escrever ensaios e artigos; ir a debates e a colóquios; participar em manifestações; fazer política fora do poder; denunciar e desconstruir os vícios e os labirintos estruturais do poder, recusar a domesticação inevitável do poder sustentado na disciplina intelectual, na unidimensionalidade política, nos fretes desculpabilizadores, nos grotescos arranjos sensacionalistas sublimados pela lógica emotiva do mais básico e manipulador senso-comum. Enfim, não deixarem de ser intelectuais.
E depois temos os outros, muitos, ramificações que cruzam outras ramificações, e algumas pernadas que exibem singularidades. Eis uma breve e pessoal tipologia caricatural:
Os académicos; maduros, sérios, civilizados, eruditos, prudentes, deslocados, desadaptados, ex: Adriano Moreira (ex-CDS)
Os aristocratas; ascetas, elitistas, inflexíveis, imortais, míticos, sacerdotes, ex: Álvaro Cunhal (PCP)
Os popularuchos; dramáticos, peixeirentos, desajeitados, passionais, espertos, barulhentos, provincianos, ex: Valentim Loureiro (PSD)
Os cerebrais; gelados, implacáveis, sisudos, desconfiados, imperturbáveis, lógicos, brilhantes: ex. Garcia Pereira (PCTP-MRPP)
Os pós-modernos; academismo heterodoxo, viajados, mediáticos, oportunistas, instáveis, lúdicos, atentos, ex: Santana Lopes (ex-PPD)
Os excêntricos; arrogantes, autoritários, pimbalhescos, retóricos, demagógicos, esquizofrénicos, infantis, ex: Alberto João Jardim (PSD)
Os precocemente envelhecidos; imitadores de tiques, precocemente calvos, precocemente previsíveis, precocemente adultos, precocementes adeptos de fatos cinzentos, jovens tristes: ex: António Filipe (ex-JCP) e ex aequo Carlos Coelho (ex-JSD)
Os sátiros; oitocentistas, cómicos, ciumentos, maneiristas, gozões, ex: Carlos Candal (PS)
Os jet-set; empresários, elegantes, charmosos, conferencistas, congressistas, risonhos, ricos, simpáticos, interessantes, ex: Pinto Balsemão (PSD)
Os conservadores; católicos, argutos, moralistas, chefes-de-família, oradores, trabalhadores, empenhados, ex: Maria José Nogueira Pinto (PP)
Os operários; lutadores, nervosos, esganiçados, mal-vestidos, briosos, susceptíveis, incansáveis, minuciosos, ex: Odete Santos (PCP).
Os líricos; verdadeiros, tolerantes, imprevisíveis, bonitos, agradáveis, fraternos, sensíveis, convictos, contraditórios, ex: Manuel Alegre (PS)
Os comentadores; verborreicos, opinativos, categóricos, ilusionistas, cínicos, convencidos, vaidosos, ex: Marcelo Rebelo de Sousa (PSD)
Os anacrónicos; moles, nostálgicos, indecisos, esforçados, inverosímeis, ex: Carlos Carvalhas (PCP)
Os freaks; noctívagos, irritáveis, persistentes, descontraídos, actualizados, cosmopolitas, desviantes, ex: Miguel Portas (BE)
lamentos, escárnios, azedumes, alarvidades, escarros, queimaduras e espetadas de carne viva. digressões uterinas, filosofices risíveis, socratismos, estilhaços novelistas, lirismos, delírios, apalpanços e linguados. salada russa de antónio revez, e podem protestar e contribuir em revezius@hotmail.com.
quarta-feira, janeiro 07, 2004
FAMA
Eu estava nervoso. Era natural, eu queria realizar um sonho. O grande sonho da minha vida. Por ele eu faria tudo. Por ele eu estava a fazer tudo. Por ele eu estava disposto a tudo. Por isso eu estava nervoso. Aproximava-se a minha vez. Eu tinha que mostrar que tinha talento, que era capaz. Que era capaz de vencer a timidez, de me soltar, de não chorar, de não me enganar.
Cantei uma música do Carlos Paião, uma bonita, e acho que cantei bem.
Mas o júri disse-me que eu era muito gordo, que parecia um moinho, apesar de ter cantado bem, sem desafinar.
Não sei se foi para fazer justiça ao Carlos Paião, ou para homenagear os gordos, ou para me sentir compensado por ter perdido o emprego como consequência destas provas, ou para mostrar em directo aos rapazes da minha aldeia que quem canta Carlos Paião não deixa de ser um homem com eles no sítio. Não sei se foi por me terem roubado um sonho tão bonito, o sonho de ser famoso e aparecer nas capas das revistas e na televisão.
Não sei se foi apenas por instinto que pus o microfone dentro do estômago de um dos membros do júri, e pus a mesa sentada na cabeça de outro dos membros do júri, e pus a cabeça de outro membro do júri pendurada no candeeiro.
Não estava nervoso. E como que por milagre, o sonho realizou-se. Fui campeão de audiências, saí em todas as revistas da especialidade, fui convidado para participar no festival da canção, ofereceram-me um tratamento de emagrecimento, e quando sair da prisão já tenho um contrato assinado para um programa de televisão só meu.
Eu estava nervoso. Era natural, eu queria realizar um sonho. O grande sonho da minha vida. Por ele eu faria tudo. Por ele eu estava a fazer tudo. Por ele eu estava disposto a tudo. Por isso eu estava nervoso. Aproximava-se a minha vez. Eu tinha que mostrar que tinha talento, que era capaz. Que era capaz de vencer a timidez, de me soltar, de não chorar, de não me enganar.
Cantei uma música do Carlos Paião, uma bonita, e acho que cantei bem.
Mas o júri disse-me que eu era muito gordo, que parecia um moinho, apesar de ter cantado bem, sem desafinar.
Não sei se foi para fazer justiça ao Carlos Paião, ou para homenagear os gordos, ou para me sentir compensado por ter perdido o emprego como consequência destas provas, ou para mostrar em directo aos rapazes da minha aldeia que quem canta Carlos Paião não deixa de ser um homem com eles no sítio. Não sei se foi por me terem roubado um sonho tão bonito, o sonho de ser famoso e aparecer nas capas das revistas e na televisão.
Não sei se foi apenas por instinto que pus o microfone dentro do estômago de um dos membros do júri, e pus a mesa sentada na cabeça de outro dos membros do júri, e pus a cabeça de outro membro do júri pendurada no candeeiro.
Não estava nervoso. E como que por milagre, o sonho realizou-se. Fui campeão de audiências, saí em todas as revistas da especialidade, fui convidado para participar no festival da canção, ofereceram-me um tratamento de emagrecimento, e quando sair da prisão já tenho um contrato assinado para um programa de televisão só meu.
segunda-feira, janeiro 05, 2004
Sem escrúpulos
Ela entrou sem que eu desse conta. É a minha repetida estupidez de dar as chaves sem ter a certeza que aquela mulher é muito diferente das outras que levaram coisas como o estojo da barba. Para quê levar o estojo da barba? Qual o sentido? E nesta a probalidade aumenta, porque deixa crescer os pêlos nas axilas. Facto que é bem diferente do que estou acostumado a ver nas outras, mas é também a certeza, tal qual as outras, que não se vai definitivamente sem surrupiar lá de casa qualquer coisa de memorável, como uma ficha tripla ou um pano da louça, pois eu já reparei como ela olha deliciada para aquele cinzeiro de lata que o homem do talho me ofereceu. E sairá sem que eu dê conta. Nem puxará o autoclismo nessa manhã. Nem usará a escova de dentes que eu lhe ofereci. Nem terá o pudor ético do adeus escrito a baton no espelho da casa de banho. Nem se lembrará de deixar as chaves perto do local onde estava o porta-moedas.
Mas eu gosto de dar as chaves, faz parte de mim, da minha natureza. Por isso, acho que me resta apenas inaugurar um movimento social que defenda a pena de morte para as ladras fetichistas. Mais valia que me roubassem o coração, isso eu ainda perdoaria, e até agradecia, pois já não me custaria nada, já não sofreria com a falta da cassete de vídeo. Mas também que raio de mania a minha de gravar os jogos da selecção por cima dos filmes românticos, dos filmes que elas gostam tanto.
Mas a esta agora não lhe dei a chaves, queria dizer-vos. Por isso, continuo sem perceber porque é que me arrombou a porta no fim-de-semana em que fui visitar o meu tio diabético, e me roubou, sem sentido nenhum, o balde do lixo.
Ela entrou sem que eu desse conta. É a minha repetida estupidez de dar as chaves sem ter a certeza que aquela mulher é muito diferente das outras que levaram coisas como o estojo da barba. Para quê levar o estojo da barba? Qual o sentido? E nesta a probalidade aumenta, porque deixa crescer os pêlos nas axilas. Facto que é bem diferente do que estou acostumado a ver nas outras, mas é também a certeza, tal qual as outras, que não se vai definitivamente sem surrupiar lá de casa qualquer coisa de memorável, como uma ficha tripla ou um pano da louça, pois eu já reparei como ela olha deliciada para aquele cinzeiro de lata que o homem do talho me ofereceu. E sairá sem que eu dê conta. Nem puxará o autoclismo nessa manhã. Nem usará a escova de dentes que eu lhe ofereci. Nem terá o pudor ético do adeus escrito a baton no espelho da casa de banho. Nem se lembrará de deixar as chaves perto do local onde estava o porta-moedas.
Mas eu gosto de dar as chaves, faz parte de mim, da minha natureza. Por isso, acho que me resta apenas inaugurar um movimento social que defenda a pena de morte para as ladras fetichistas. Mais valia que me roubassem o coração, isso eu ainda perdoaria, e até agradecia, pois já não me custaria nada, já não sofreria com a falta da cassete de vídeo. Mas também que raio de mania a minha de gravar os jogos da selecção por cima dos filmes românticos, dos filmes que elas gostam tanto.
Mas a esta agora não lhe dei a chaves, queria dizer-vos. Por isso, continuo sem perceber porque é que me arrombou a porta no fim-de-semana em que fui visitar o meu tio diabético, e me roubou, sem sentido nenhum, o balde do lixo.
Provas de amor
Tu estavas doente, tinhas febre, estavas de atestado médico, podias levantar-te quando te sentisses em condições. Eu tinha aulas às oito da manhã, e não podia faltar, e já nem sei porquê, tinha-te dito na noite anterior que adorava os ovos mexidos que a minha mãe me fazia ao pequeno-almoço e que tu nunca me fazias ovos mexidos. Disse por dizer, talvez porque me apetecesse ovos mexidos nessa altura, pois à noite também me sabiam bem.
Tu estavas doente, com gripe, cheia de arrepios de frio, e mesmo assim, enquanto eu tomava duche, desceste à cozinha e fizeste-me ovos mexidos às sete da manhã, quando devias estar deitada, aconchegada e quentinha. Era eu que devia depois do duche trazer-te qualquer coisa à cama e fazer-te um carinho para te pores melhor.
Fiquei tão irritado quando te vi meio a cambalear na cozinha com a frigideira trémula na mão, mas só te disse: "ó minha querida, estás tão doentinha e saíste da cama para me fazeres uns ovinhos". Tu não me disseste nada, só me sorriste com um sorriso de mãe, e ficaste a ver-me comer. Eu comi e só desejava que não me fizesses a pergunta que acabaste por fazer. "Então, estão bons?". "Estão óptimos amorzinho, óptimos". Estavam horríveis, intragáveis, foram os piores ovos mexidos que comi, até sabiam a tudo menos a ovos mexidos, o que é quase impossível de acontecer, porque os ovos mexidos é a coisa mais fácil de fazer, e por muito mal que saiam, sabem sempre a ovos mexidos. Mas ficaste tão contente com a minha resposta, tão feliz. "Ainda bem amor, ainda bem". Acho que foi o carinho mais carinhoso que te podia ter feito.
Quando nesse dia voltei do trabalho já estavas boa, já não tinhas febre, eu até fiquei surpreendido. "Foi por teres gostado dos meus ovos mexidos". Ainda bem, valeu a pena, pois senti como uma queimadura na carne como gostas de mim, como me amas. E como eu te amo, apesar de, a partir daí, comer quase todos os dias, os piores ovos mexidos do mundo.
Tu estavas doente, tinhas febre, estavas de atestado médico, podias levantar-te quando te sentisses em condições. Eu tinha aulas às oito da manhã, e não podia faltar, e já nem sei porquê, tinha-te dito na noite anterior que adorava os ovos mexidos que a minha mãe me fazia ao pequeno-almoço e que tu nunca me fazias ovos mexidos. Disse por dizer, talvez porque me apetecesse ovos mexidos nessa altura, pois à noite também me sabiam bem.
Tu estavas doente, com gripe, cheia de arrepios de frio, e mesmo assim, enquanto eu tomava duche, desceste à cozinha e fizeste-me ovos mexidos às sete da manhã, quando devias estar deitada, aconchegada e quentinha. Era eu que devia depois do duche trazer-te qualquer coisa à cama e fazer-te um carinho para te pores melhor.
Fiquei tão irritado quando te vi meio a cambalear na cozinha com a frigideira trémula na mão, mas só te disse: "ó minha querida, estás tão doentinha e saíste da cama para me fazeres uns ovinhos". Tu não me disseste nada, só me sorriste com um sorriso de mãe, e ficaste a ver-me comer. Eu comi e só desejava que não me fizesses a pergunta que acabaste por fazer. "Então, estão bons?". "Estão óptimos amorzinho, óptimos". Estavam horríveis, intragáveis, foram os piores ovos mexidos que comi, até sabiam a tudo menos a ovos mexidos, o que é quase impossível de acontecer, porque os ovos mexidos é a coisa mais fácil de fazer, e por muito mal que saiam, sabem sempre a ovos mexidos. Mas ficaste tão contente com a minha resposta, tão feliz. "Ainda bem amor, ainda bem". Acho que foi o carinho mais carinhoso que te podia ter feito.
Quando nesse dia voltei do trabalho já estavas boa, já não tinhas febre, eu até fiquei surpreendido. "Foi por teres gostado dos meus ovos mexidos". Ainda bem, valeu a pena, pois senti como uma queimadura na carne como gostas de mim, como me amas. E como eu te amo, apesar de, a partir daí, comer quase todos os dias, os piores ovos mexidos do mundo.
Apetecia-me entrar em ti. Ficar lá dentro quando tu tomasses banho e mexesses nas mamas e no corpo todo, sentir-te com as tuas próprias mãos e maltratar-te com as tuas próprias mãos, e sentirmos ao mesmo tempo, num só, como se não pudesses fugir da dor e do prazer que nos envolvia da mesma maneira e com a mesma intensidade, sabermos nesse instante o que cada um sentia do outro que sentia como nós, o único momento de verdade, afinal.
Ficar dentro de ti quando eu te dissesse que não vales nada e que és tudo para mim.
E pôr-te a chorar, mesmo que não quisesses, e pôr-te a amar mesmo que não quisesses e pôr-te a beijar o chão mesmo que não quisesses. Seria certamente a única maneira de sentires o que sou, de saberes quem sou.
Apetecia-me morrer em ti, e depois libertar-me de ti como quem se evade da prisão mais brutal e tortuosa, rir-me de ti como quem clama triunfo sobre um patrão desumano.
Soubesse eu os dias em que não és tu em cada sílaba, para ocupar o teu corpo e não te deixar regressar, para expulsar-te para sempre do meu destino que é o teu refém.
Soubesse eu os dias em que és tu apenas numa sílaba, e nesse precioso segundo de autenticidade, arrancar com força o deslize, e plantá-lo dentro de mim, para sofrer comigo todos os teus dias em que não vens, mesmo quando gritas tão falsa e maldita, que eu estou dentro de ti.
Ficar dentro de ti quando eu te dissesse que não vales nada e que és tudo para mim.
E pôr-te a chorar, mesmo que não quisesses, e pôr-te a amar mesmo que não quisesses e pôr-te a beijar o chão mesmo que não quisesses. Seria certamente a única maneira de sentires o que sou, de saberes quem sou.
Apetecia-me morrer em ti, e depois libertar-me de ti como quem se evade da prisão mais brutal e tortuosa, rir-me de ti como quem clama triunfo sobre um patrão desumano.
Soubesse eu os dias em que não és tu em cada sílaba, para ocupar o teu corpo e não te deixar regressar, para expulsar-te para sempre do meu destino que é o teu refém.
Soubesse eu os dias em que és tu apenas numa sílaba, e nesse precioso segundo de autenticidade, arrancar com força o deslize, e plantá-lo dentro de mim, para sofrer comigo todos os teus dias em que não vens, mesmo quando gritas tão falsa e maldita, que eu estou dentro de ti.
Tu e eu
Assaltas-me o corpo cada vez que me sinto corpo perdido quando não estás
corpo em labareda e cheiras a tudo o que dizes de olhos fechados
abertos de boca cerrada a lamberes-me de palavras doces para mim,
sonho-te essa fervura de mil pegadas dentro da minha pele
e o medo que desce aos ventres atropelados sem medo,
o espaço acaba sempre no prolongamento escuro dos braços
aninhados escondidos apertados na toca de lã
e o tempo vem ruidoso dizer-nos adeus
quando não chegámos
a sentir o tempo
vejo agora a tua barriguinha quente
sabe-me a tua língua ainda a bebida nua
.........
Assaltas-me o corpo cada vez que me sinto corpo perdido quando não estás
corpo em labareda e cheiras a tudo o que dizes de olhos fechados
abertos de boca cerrada a lamberes-me de palavras doces para mim,
sonho-te essa fervura de mil pegadas dentro da minha pele
e o medo que desce aos ventres atropelados sem medo,
o espaço acaba sempre no prolongamento escuro dos braços
aninhados escondidos apertados na toca de lã
e o tempo vem ruidoso dizer-nos adeus
quando não chegámos
a sentir o tempo
vejo agora a tua barriguinha quente
sabe-me a tua língua ainda a bebida nua
.........
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