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O risco
João: Dulce, há quanto tempo que somos amigos?
Dulce: Sei lá João, pelo menos há dez anos. És o meu melhor e mais antigo amigo, sabes isso, porquê?
João: Tu também és a minha melhor amiga. Por isso não levas a mal se eu te perguntar porque é que temos que vir a este museu todas as semanas.
Dulce: Porque este museu é de arte contemporânea João, e a arte contemporânea é muito complexa, cada vez que venho cá vejo coisas diferentes nas mesmas peças e nos mesmos quadros.
João: Também não levas a mal se eu te disser que só vejo um risco neste quadro, pois não? E acredita que desde a primeira vez que sempre vi e só vi um risco.
Dulce: tens que abrir a mente João, livrares-te de preconceitos morais e barreiras estéticas, aquilo é muito mais que um risco. A semana passada vi um combóio, vê lá tu. E tu se quiseres também podes ver muitas coisas diferentes.
João: tu viste um combóio onde está aquele risco? É extraordinário. Tu consegues ver coisas incríveis, como é que fazes?
Dulce: é tudo uma questão de atitude, de open mind, tás a ver? É pá, quero ver um combóio e consigo ver um combóio. As asas do espírito, tás a ver?
João: hã hã. Tou a ver. Portanto, para tu conseguires ver um combóio, estar ali um risco ou uma banheira é a mesma coisa?
Dulce: não, João. Se estivesse pintada uma banheira eu nunca poderia ver um combóio. Porque a banheira é uma figura definida e acabada, é uma constelação de formas que fecha o universo perceptivo e dirige e condiciona a tua distorção imaginativa.
João: e um risco não é um risco, como uma banheira não é uma banheira?
Dulce: não, um risco pode ser qualquer coisa, pois qualquer coisa é feita de riscos. O risco é a ferramenta da tua imaginação. O risco é um pretexto, é uma alavanca, um disparo, para tu criares a tua própria forma, de acordo com a tua sensibilidade, emoção e disposição. É por isso é que o mesmo risco nunca é apenas um risco e nunca é sempre a outra coisa que ele pode ser, porque essa coisa que ele pode ser é sempre aquilo que podes e consegues ver de acordo com as condições subjectivas do momento perceptivo.
João: Dulce?
Dulce: sim, João.
João: nós somos muito amigos um do outro não somos?
Dulce: sim, João, que pergunta, não sabes que sim?
João: então responde-me com sinceridade: tu não andas a tomar drogas, pois não?
Dulce: drogas? És parvo?
João: é alguma seita? Entraste para uma seita qualquer, é isso não é?
Dulce: estás louco? Que conversa é essa?
João: abre-te comigo, Dulce, diz-me o que é que se passa. Tu não estás bem, eu posso ajudar-te?
Dulce: tu é que não estás bom. Eu sinto-me optimamente.
João: sentes-te bem, não tomas nada, e consegues ver um combóio onde só há ali um simples risco sob um fundo branco?
Dulce: sim, agora já não consigo ver um combóio. Mas hoje já vi uma flauta, um aspirador e um aeroporto.
João: e achas que estás bem? Queres apostar que se eu perguntar às dezenas de pessoas que estão aqui o que vêem nesse quadro, que elas me respondem que é um risco?
Dulce: acredito, João. São mentes agrilhoadas, esmagadas pela evidência perceptiva, registos convergentes e unidireccionais. São bestas, João. Autênticas bestas. Uma ovelha também vê aí apenas um risco.
João: estás a chamar-me borrego? É isso que vês em mim?
Dulce: não João, o meu pensamento transcende a imediata legibilidade das formas. Eu olho para ti e vejo uma couve-flor.
lamentos, escárnios, azedumes, alarvidades, escarros, queimaduras e espetadas de carne viva. digressões uterinas, filosofices risíveis, socratismos, estilhaços novelistas, lirismos, delírios, apalpanços e linguados. salada russa de antónio revez, e podem protestar e contribuir em revezius@hotmail.com.
domingo, fevereiro 29, 2004
segunda-feira, fevereiro 23, 2004
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Declaração de amor
(um rapaz e uma rapariga estão sentados à mesa de um café no Alentejo)
Magda (com um ramo de flores na mão): Mas porquê as flores Luís? Eu nem faço anos nem nada. O que é que te deu? Nem sabia que gostavas de flores. Se passa por aqui o Rui vai ficar fulo, sabes que ele tem ciúmes dos meus amigos.
Luís: Apeteceu-me oferecer flores, é crime? Fui hoje ao cemitério a Évora ver a campa do meu avô e achei que ele tinha flores a mais. Não percebo porque é que um morto precisa de flores. E sobretudo o meu avô, que a única flor que gostava era couve-flor cozida com bacalhau.
Magda (repugnada, largando as flores): Tu tiraste as flores da campa do teu avô para me ofereceres? Francamente. Tu não estás bom da cabeça.
Luís: É que o dinheiro só dava para uma coisa, ou as flores ou isto que te comprei (oferece um embrulho à Magda).
Magda (enternecida): Tu estás louco! Mas o que é que se passa contigo? Para quê tantas prendas? O que é que te deu?
Luís: Vá abre, despacha-te, espero que gostes.
(Magda desembrulha a prenda, que é uma cassete de vídeo virgem)
Magda (à toa): Uma cassete vídeo sem nada?...
Luís: Sim, para gravares o Portugal-Estónia. Não tem nada gravado, estás a ver? Ainda tem o plástico e tudo.
Magda (confusa): Pois... ainda tem o plástico... é natural... ainda não foi gravada.
Luís (entusiasmado): Gostaste?
Magda: Sim... claro... é uma prenda... original.
Luís: Ainda bem que gostaste. Tive para comprar um regador para as flores em vez disso, mas era muito caro, e de plástico já não havia.
Magda: Fizeste bem.. eu prefiro a cassete vídeo.. (mudando de assunto) Então e conta lá, o que é que tens feito?
Luís: Olha, tenho trabalhado na oficina do meu tio ali ao pé de Reguengos, e tenho andado no mirc, na internet, aquilo é o máximo, digitalizei uma fotografia tua e tenho enviado para toda a gente a dizer que és minha amiga.
Magda (em pânico): Tens o quê???
Luís: Sim, eu logo vi que ias gostar
Magda: Gostar????
Luís: Sim, aquilo é mesmo engraçado, ontem recebi a tua foto de um sítio para onde tinha enviado, mas agora montaram a tua cabeça no corpo de uma mulher nua, está muito gira.
Magda: Jura que isso não é verdade!
Luís: É verdade sim, e eu gostei tanto que a enviei outra vez para toda a gente, só que agora escrevi por cima: "sou boa mas não é para os vossos dentes". Estava inspirado, ein?
Magda: O quê???? Eu não acredito!!! Elimina isso imediatamente!
Luís: Eliminar para quê?? Até tive muita gente a responder e a perguntar por ti, onde é que moravas, se convivias em gabinetes, se ias ao domicílio.. essa do domicílio é que eu não percebi. Por isso achei bem dar o teu número de telemóvel, não fiz mal, pois não?
Magda: O quê??????? Tu és estúpido! Mas és idiota ou quê?
Luís (sem perceber): Mas não gostaste? Pensei que ias gostar. Eu fiz isto porque gosto de ti
Magda: Gostas de mim??
Luís: Sim, tudo isto era também para te dizer que gosto de ti, que gostava muito que deixasses o Rui e que namorasses comigo.
Magda: Mas tu és apenas meu amigo, eu não sinto nada mais por ti.
Luís: Não faz mal, com o tempo gostas, e eu só penso em ti, tenho sonhos eróticos contigo, imagino a fazeres-me coisas, tenho fantasias contigo..
Magda (irritada): O quê?? que fantasias???
Luís: Bem.. agora não me lembro bem... mas tenho isso tudo escrito e enviei também pela internet, se quiseres eu mostro-te.
Magda: O quê?? vai-te tratar anormal!!! (levanta-se e sai)
Luís (cabisbaixo e triste): Eu só queria dizer que gosto muito dela..
Corre o pano
Declaração de amor
(um rapaz e uma rapariga estão sentados à mesa de um café no Alentejo)
Magda (com um ramo de flores na mão): Mas porquê as flores Luís? Eu nem faço anos nem nada. O que é que te deu? Nem sabia que gostavas de flores. Se passa por aqui o Rui vai ficar fulo, sabes que ele tem ciúmes dos meus amigos.
Luís: Apeteceu-me oferecer flores, é crime? Fui hoje ao cemitério a Évora ver a campa do meu avô e achei que ele tinha flores a mais. Não percebo porque é que um morto precisa de flores. E sobretudo o meu avô, que a única flor que gostava era couve-flor cozida com bacalhau.
Magda (repugnada, largando as flores): Tu tiraste as flores da campa do teu avô para me ofereceres? Francamente. Tu não estás bom da cabeça.
Luís: É que o dinheiro só dava para uma coisa, ou as flores ou isto que te comprei (oferece um embrulho à Magda).
Magda (enternecida): Tu estás louco! Mas o que é que se passa contigo? Para quê tantas prendas? O que é que te deu?
Luís: Vá abre, despacha-te, espero que gostes.
(Magda desembrulha a prenda, que é uma cassete de vídeo virgem)
Magda (à toa): Uma cassete vídeo sem nada?...
Luís: Sim, para gravares o Portugal-Estónia. Não tem nada gravado, estás a ver? Ainda tem o plástico e tudo.
Magda (confusa): Pois... ainda tem o plástico... é natural... ainda não foi gravada.
Luís (entusiasmado): Gostaste?
Magda: Sim... claro... é uma prenda... original.
Luís: Ainda bem que gostaste. Tive para comprar um regador para as flores em vez disso, mas era muito caro, e de plástico já não havia.
Magda: Fizeste bem.. eu prefiro a cassete vídeo.. (mudando de assunto) Então e conta lá, o que é que tens feito?
Luís: Olha, tenho trabalhado na oficina do meu tio ali ao pé de Reguengos, e tenho andado no mirc, na internet, aquilo é o máximo, digitalizei uma fotografia tua e tenho enviado para toda a gente a dizer que és minha amiga.
Magda (em pânico): Tens o quê???
Luís: Sim, eu logo vi que ias gostar
Magda: Gostar????
Luís: Sim, aquilo é mesmo engraçado, ontem recebi a tua foto de um sítio para onde tinha enviado, mas agora montaram a tua cabeça no corpo de uma mulher nua, está muito gira.
Magda: Jura que isso não é verdade!
Luís: É verdade sim, e eu gostei tanto que a enviei outra vez para toda a gente, só que agora escrevi por cima: "sou boa mas não é para os vossos dentes". Estava inspirado, ein?
Magda: O quê???? Eu não acredito!!! Elimina isso imediatamente!
Luís: Eliminar para quê?? Até tive muita gente a responder e a perguntar por ti, onde é que moravas, se convivias em gabinetes, se ias ao domicílio.. essa do domicílio é que eu não percebi. Por isso achei bem dar o teu número de telemóvel, não fiz mal, pois não?
Magda: O quê??????? Tu és estúpido! Mas és idiota ou quê?
Luís (sem perceber): Mas não gostaste? Pensei que ias gostar. Eu fiz isto porque gosto de ti
Magda: Gostas de mim??
Luís: Sim, tudo isto era também para te dizer que gosto de ti, que gostava muito que deixasses o Rui e que namorasses comigo.
Magda: Mas tu és apenas meu amigo, eu não sinto nada mais por ti.
Luís: Não faz mal, com o tempo gostas, e eu só penso em ti, tenho sonhos eróticos contigo, imagino a fazeres-me coisas, tenho fantasias contigo..
Magda (irritada): O quê?? que fantasias???
Luís: Bem.. agora não me lembro bem... mas tenho isso tudo escrito e enviei também pela internet, se quiseres eu mostro-te.
Magda: O quê?? vai-te tratar anormal!!! (levanta-se e sai)
Luís (cabisbaixo e triste): Eu só queria dizer que gosto muito dela..
Corre o pano
segunda-feira, fevereiro 16, 2004
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Um casal acusa a Internet de ser a responsável pelo seu divórcio, mas também a felicita por ter possibilitado a reconciliação. O marido e a mulher frequentavam o mesmo chat-room, sem que conhecessem a identidade real um do outro, que era omitida durante as conversas. Ambos disseram que eram solteiros e foram-se interessando um pelo outro, até que marcaram um encontro para se conhecerem pessoalmente. Quando teve lugar o adultério simultâneo, o casal insultou-se mutuamente e ambos pediram o divórcio. Só que continuaram a conversar na Internet de forma apaixonada, e marcaram um novo encontro onde se reconciliaram e voltaram a casar.
Um casal acusa a Internet de ser a responsável pelo seu divórcio, mas também a felicita por ter possibilitado a reconciliação. O marido e a mulher frequentavam o mesmo chat-room, sem que conhecessem a identidade real um do outro, que era omitida durante as conversas. Ambos disseram que eram solteiros e foram-se interessando um pelo outro, até que marcaram um encontro para se conhecerem pessoalmente. Quando teve lugar o adultério simultâneo, o casal insultou-se mutuamente e ambos pediram o divórcio. Só que continuaram a conversar na Internet de forma apaixonada, e marcaram um novo encontro onde se reconciliaram e voltaram a casar.
domingo, fevereiro 08, 2004
A primeira vez
(duas raparigas sentadas à mesa de um café numa localidade do Alentejo)
Ana: É pá! Não posso beber mais cerveja, faz-me barriga, e eu quero ver se este ano desço até aos 130 quilos.
Luísa: Pois eu mesmo magra ninguém me pega, não sei o que é que se passa, agora até tenho feito o bigode e tudo.
Ana: Isto é tudo uma questão de fases. Olha para mim agora, até tenho gajos bonitos atrás de mim, e ricos e tudo!
Uma mulher precisa de ter charme, saber falar, eu sempre disse que o 9º ano ia servir-me para qualquer coisa..
Luísa: O meu problema é que me corto quando chega a altura de... tu sabes. E esta coisa espalha-se. E não sabem eles que sou virgem, senão apedrejavam-me. Tenho muita vontade, mas tenho muito receio também.
Ana: Tu és como muitas, fazem disso um bicho de sete cabeças... e a verdade é que o bicho só tem uma cabeça..
(riem as duas)
Luísa: Tenho medo... há raparigas que ficam traumatizadas.. aquilo pode doer muito, a pessoa pode perder os sentidos só com a dor... ou entrar em coma.. e há quem sangre quase até à morte.
Ana: Que exagero! Quem te ouve pensa que estás a falar na matança do porco. Eu então, acho que nem uma pinga de sangue deitei.
Luísa: Achas? Então? Não tens a certeza?
Ana: Não! Estávamos os dois com uma camada que era obra, era de noite, e sabes ao que é que eu me limpei? Nem vais acreditar.
Luísa: A quê?
Ana: À caniche da tua tia!
Luísa: À Fofinha????
Ana: Essa mesmo!
Luísa: Agora é que eu percebo porque é que ela nunca quer vir para o pé de mim quando eu estou com o período.
Ana: A sério??
Luísa: Juro-te.
Ana: Então se calhar sangrei um bocadinho..
Luísa (lembrando-se): Péra aí! Não me digas que fui na altura em que a minha tia disse que tinham pintado a Fofinha de vermelho?
Ana: Aí há dois anos mais ou menos?
Luísa: Sim, por essa altura.
Ana: Bem, então se calhar sangrei mais que a porca que matámos no Natal.. Mas olha, eu não dei por nada.
Luísa: Mas como é que isso aconteceu.
Ana: Eu acho que já te tinha dito. Foi numa noite de cinema na recreativa, eu andava com o Chico, tínhamos bebido umas grades de minis antes do cinema, fomos cá para trás, não havia quase ninguém, era de Verão, ele deita-se no chão de barriga para cima a descansar, e quando o vou mandar calar, para deixar de ressonar, vejo que estava com ele feito. Oh, tá bem tá, nem é tarde nem é cedo, desaperto-lhe a braguilha e sento-me em cima dele. Ele nem deu por nada, mas eu garanto-te que nunca foi tão bom com ele como daquela primeira vez?
Luísa: Então porquê?
Ana: Porque depois disso nunca mais quis que eu ficasse por cima! E depois disso, cada vez que fazíamos, tinha que gramar o fedor que ele deitava dum dente podre, e depois babava-se e tudo.. até pensei em lhe pôr um bibe..
Luísa: O Quim está farto de pedir-me, mas eu não sei... tenho medo... e tu que já andaste com ele, o que é que achas?
Ana: Acho que não vai doer-te nem vais sangrar nada..
Luísa: Então?
Ana: Porque a única vez que conseguiu fazer, depois de milhares de tentativas, parecia um palito de gelatina.. e derreteu-se em 30 segundos.
Luísa: O que é que me aconselhas? Ando com uma vontade que nem imaginas.
Ana: Olha amiga, não escolhas homens com muitos estudos, nem que usem óculos, só querem falar e falar e depois nada. A nível sexual, quando mais próximos das bestas melhor!
Luísa (reparando que passa alguém na rua): Olha, lá vai o meu primo que trabalha no Monte da Perdida.
Ana: O que é que ele faz?
Luísa: Limpa a merda dos cavalos.
Ana: Estás à espera do quê?
Fecha o plano.
(duas raparigas sentadas à mesa de um café numa localidade do Alentejo)
Ana: É pá! Não posso beber mais cerveja, faz-me barriga, e eu quero ver se este ano desço até aos 130 quilos.
Luísa: Pois eu mesmo magra ninguém me pega, não sei o que é que se passa, agora até tenho feito o bigode e tudo.
Ana: Isto é tudo uma questão de fases. Olha para mim agora, até tenho gajos bonitos atrás de mim, e ricos e tudo!
Uma mulher precisa de ter charme, saber falar, eu sempre disse que o 9º ano ia servir-me para qualquer coisa..
Luísa: O meu problema é que me corto quando chega a altura de... tu sabes. E esta coisa espalha-se. E não sabem eles que sou virgem, senão apedrejavam-me. Tenho muita vontade, mas tenho muito receio também.
Ana: Tu és como muitas, fazem disso um bicho de sete cabeças... e a verdade é que o bicho só tem uma cabeça..
(riem as duas)
Luísa: Tenho medo... há raparigas que ficam traumatizadas.. aquilo pode doer muito, a pessoa pode perder os sentidos só com a dor... ou entrar em coma.. e há quem sangre quase até à morte.
Ana: Que exagero! Quem te ouve pensa que estás a falar na matança do porco. Eu então, acho que nem uma pinga de sangue deitei.
Luísa: Achas? Então? Não tens a certeza?
Ana: Não! Estávamos os dois com uma camada que era obra, era de noite, e sabes ao que é que eu me limpei? Nem vais acreditar.
Luísa: A quê?
Ana: À caniche da tua tia!
Luísa: À Fofinha????
Ana: Essa mesmo!
Luísa: Agora é que eu percebo porque é que ela nunca quer vir para o pé de mim quando eu estou com o período.
Ana: A sério??
Luísa: Juro-te.
Ana: Então se calhar sangrei um bocadinho..
Luísa (lembrando-se): Péra aí! Não me digas que fui na altura em que a minha tia disse que tinham pintado a Fofinha de vermelho?
Ana: Aí há dois anos mais ou menos?
Luísa: Sim, por essa altura.
Ana: Bem, então se calhar sangrei mais que a porca que matámos no Natal.. Mas olha, eu não dei por nada.
Luísa: Mas como é que isso aconteceu.
Ana: Eu acho que já te tinha dito. Foi numa noite de cinema na recreativa, eu andava com o Chico, tínhamos bebido umas grades de minis antes do cinema, fomos cá para trás, não havia quase ninguém, era de Verão, ele deita-se no chão de barriga para cima a descansar, e quando o vou mandar calar, para deixar de ressonar, vejo que estava com ele feito. Oh, tá bem tá, nem é tarde nem é cedo, desaperto-lhe a braguilha e sento-me em cima dele. Ele nem deu por nada, mas eu garanto-te que nunca foi tão bom com ele como daquela primeira vez?
Luísa: Então porquê?
Ana: Porque depois disso nunca mais quis que eu ficasse por cima! E depois disso, cada vez que fazíamos, tinha que gramar o fedor que ele deitava dum dente podre, e depois babava-se e tudo.. até pensei em lhe pôr um bibe..
Luísa: O Quim está farto de pedir-me, mas eu não sei... tenho medo... e tu que já andaste com ele, o que é que achas?
Ana: Acho que não vai doer-te nem vais sangrar nada..
Luísa: Então?
Ana: Porque a única vez que conseguiu fazer, depois de milhares de tentativas, parecia um palito de gelatina.. e derreteu-se em 30 segundos.
Luísa: O que é que me aconselhas? Ando com uma vontade que nem imaginas.
Ana: Olha amiga, não escolhas homens com muitos estudos, nem que usem óculos, só querem falar e falar e depois nada. A nível sexual, quando mais próximos das bestas melhor!
Luísa (reparando que passa alguém na rua): Olha, lá vai o meu primo que trabalha no Monte da Perdida.
Ana: O que é que ele faz?
Luísa: Limpa a merda dos cavalos.
Ana: Estás à espera do quê?
Fecha o plano.
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